Deus
nunca disse que a jornada seria fácil.
Mas Ele
disse que a chegada valeria a pena.
(Max
Lucado)
A Bíblia é um manancial de promessas. Universais.
Personalizadas. São mais de cinco mil no Antigo Testamento e outras três mil no
Novo Testamento. Alguns estudos compilam 8.810 promissões nas páginas sagradas.
A “Bíblia JFA – Edição Promessas”, cataloga 1.100 categorias de
promessas seladas entre Deus e os homens, e destacadas pelos quarenta autores
dos livros bíblicos. É muita benção agendada sobre o servo de Deus!
Mas, nada de oba-oba! Existem critérios para vivenciar cada uma delas. Deus só tem promessas para vencedores!
Mas, nada de oba-oba! Existem critérios para vivenciar cada uma delas. Deus só tem promessas para vencedores!
O que
vencer comerá do fruto da Árvore da Vida, que está no meio do Paraíso de Deus.
O que
vencer não receberá o dano da segunda morte.
O que
vencer partilhará do maná escondido.
O que
vencer será chamado por um novo nome.
O que
vencer julgará as nações com vara de ferro.
O que
vencer vestirá roupas brancas.
O que
vencer caminhará com o Senhor por ruas de ouro.
O que
vencer manterá seu nome escrito no Livro da Vida.
O que
vencer terá seu nome confessado pelo próprio Cristo.
O que
vencer se edificará como coluna no Santuário celeste.
O que
vencer levará sobre si o nome de Deus.
O que
vencer dividirá um trono com o Jesus glorificado.
Não existe um só lugar na “Glória Eterna” que
tenha sido reservado para os derrotados. O fracasso não consegue ultrapassar as
catracas da Nova Jerusalém. O céu é o destino de campeões! Gente que superou os
mais volumosos obstáculos, e por fé, ultrapassou os limites da própria capacidade
humana. Imagine o Paraíso como um gigantesco pódio, apenas com a plataforma
do primeiro colocado. O segundo lugar, infelizmente, vai ficar de fora.
E esta condição me deixa agoniado. Com oito
bilhões de almas numa corrida desenfreada rumo a eternidade, qual é a
probabilidade de meu nome constar entre os vencedores? Não importando qual a
categoria, sei que sempre existirá milhões de pessoas mais credenciadas,
capacitas e produtivas. Que chances tenho eu?
Nestas horas, quando a insegurança toca
maliciosamente a campainha, preciso me lembrar que esta não é uma disputa no
estilo “um” contra “todos”. Só existem dois concorrentes diretos. “Eu” vs “Eu”. “Homem Natural” vs “Homem Espiritual”. Só chega na Glória,
e desfruta plenamente das promessas, aquele que vence a mais árdua das
batalhas, e no ringue das prioridades, consegue derrotar a “si mesmo”. Como bem
dizia minha amiga Eliana Felix: - O céu é
ganho a força!
Imagine que seja oferecido a você um baú cheio de
ouro. Gratuito e intransferível. Se não for seu, não será de mais ninguém. Na
verdade, cada pessoa já nascida recebeu a mesma proposta. Um tesouro
particular, único e exclusivo. Não existem motivos de disputa em torno dele.
Caso sua resposta seja sim, ninguém poderá roubá-lo de você. Obviamente, para
isto, uma única exigência precisa ser aceita de bom grado. É preciso buscá-lo
pessoalmente. E qual a localização? No alto do monte Everest. Não há
helicópteros disponíveis ou alpinistas contratáveis. A busca também é pessoal e
intransferível. O tesouro está reservado apenas para você, e a escalada também.
Este é o filtro que retém os derrotados, para os quais, os céus não permitirão
acesso.
A disputa não é “quem” chega primeiro, ou escala
mais rápido. Na verdade, vencem todos aqueles que “não” desistem da escalada. Eu X Eu. Você X Você. Uma batalha diária contra o desânimo,
a apostasia e o comodismo. A montanha, em si, nunca será o problema. Sabemos o
que esperar dela no exato instante que optamos pela subida. Conhecemos bem
as consequências desta escolha. Cansaço, fadiga, dores crônicas, ar rarefeito,
as pontas dos dedos em carne viva, frio e extremidades do corpo suscetíveis a
necrose. Estas dificuldades estão descritas no “contrato” em letras garrafais.
Deus não as esconde de ninguém. A montanha está ali exatamente para limitar os acessos. É um teste. Geralmente, motivados pelos valores ofertados,
prontamente aceitamos a jornada, e iniciamos o caminho dispostos a concluir o
percurso. Esta é a verdade do momento, banhada de emocionalismo e empolgação,
nos catapultando pelos primeiros estágios. Fogo e fúria agindo como combustível
humano. Faca entre os dentes e muitos metros conquistados com extrema
facilidade. O início é sempre promissor.
Porém, os dias se sucedem, os ventos sopram
rigorosos e o inverno açoita o lombo já despido, enquanto os dedos sangram a
cada toque no rochedo. Começamos a recalcular o custo benefício. - Será que realmente vale a pena tanto
desgaste na busca de um tesouro, para o qual, não tenho ao menos, alguma prova
tangível de sua existência. O “Eu”
racional, calculista e pragmático, desafiando o “Eu” espiritual, esperançoso e atemporal para um duelo de “vida” e
“vida eterna”. Quem vence? Quem perde? Quem avança? Quem recua?
Perder para ganhar ou ganhar para perder?
O céu será entregue aos vencedores. Para aqueles
que abarrotam sua mochila com as promessas, e não a abandona na beira do
caminho, mesmo que o peso empurre vertiginosamente para baixo. Nos critérios
divinos, vencer não é necessariamente ser o melhor, ou chegar primeiro. Mas sim, não desistir no meio do caminho. Só os perseverantes viverão a plenitude
de tudo aquilo que foi prometido desde o começo do mundo.
Deixe-me explicitar este conceito através da vida
de Paulo. Este homem dotado de grandiosas virtudes e inteligência superior,
abriu mão de uma vida acadêmica muito promissora em Jerusalém, quando recebeu a
proposta de um tesouro espiritual. Mesmo sabendo das dificuldades da escalada,
se lançou sem reservas montanha cima, crendo que o Senhor que o esperava no
cume, também seria seu guia por todo o rochedo. O custo desta escolha? Escárnios, açoites, prisões, naufrágios,
fome, frio, abandono, angústias e muitas tribulações. Será que realmente devemos
considerar Paulo um exemplo de vencedor?
Faça um exercício de memória e volte a Roma do
século primeiro. Mais precisamente, ao corredor da morte em uma destas prisões
romanas que você conhece bem pelos filmes épicos que já assistiu. Lá você se encontra
com um homem magro, a barba viscosa e olhar cansado. Na próxima hora, sua
cabeça rolará em praça pública. Será o fim para ele. Nas mãos do condenado,
você observa um pedaço de papel. Os dedos engruvinhados seguram firmemente a pena, enquanto escrevem um tipo de carta.
As últimas palavras do prisioneiro. Você observa as cicatrizes
nos braços e nas pernas, e entende que aquele homem foi surrado por várias
vezes ao longo de sua vida. E logo conclui: -
Deve ter sido alguém muito ruim para apanhar tanto.
Curioso, você inicia uma conversa “despretensiosa”.
– Está frio aqui, não? O homem para
de escrever e gentilmente olha na sua direção. – Já estive em situações piores.... Uma vez, depois que meu navio
naufragou, passei a noite inteira nas águas geladas do mar, agarrado a um
pedaço de madeira, enquanto nadava numa busca desesperada por terra seca... Com
a Graça de Deus, eu e meus companheiros sobrevivemos... Mas, naquela noite, meu filho... Eu senti frio de verdade... Aqui até que está bem quentinho... Você
fica impressionado com a serenidade na voz do pobre condenado, que em nada se
enquadra na aparência esquálida que ostenta. E insiste no diálogo:
- Que
história... Certamente você deve ter muitas delas para contar!
E ele, de fato, as têm. Trôade. Malta. Felipo.
Atenas. Éfeso. Macedônia. Colosso. Galacia. Tessalônica. Corinto. Antioquia.
Jerusalém. Histórias sobre apedrejamentos. Linchamentos públicos. Julgamentos. Prisões.
Eram incontáveis as vezes que a morte quase o tinha tomado para si. E o motivo era
sempre o mesmo. A maioria das pessoas desprezava a mensagem que transmitia.
Jesus Cristo. Aquele que foi morto e reviveu. A Graça capaz de soterrar uma
montanha de pecados. Arrependimento. Renúncia. Perdão. Frutificação espiritual.
O amor sendo apontado como o mais excelente dos caminhos. A morte do velho
homem e o renascimento para uma vida nova, enquadrada nos desígnios de Deus. Os
religiosos repudiavam a doutrina. Os políticos se incomodavam com a
revolução espiritual. Os poderosos sentiam o ego violado pelas ideias
igualitárias, que nivelava todos os homens sob a égide do pecado, carentes de misericórdia
e passiveis de julgamento. Então, o portador da mensagem foi coagido.
Perseguido. Maltratado. Portas fechadas. Fugas no meio da noite. A cada passo
dado, uma dor lancetava seu corpo. A cada alma ganha, uma pedra atingia seu
dorso. Milhares de vidas resgatas das garras de satanás. A mesma quantidade de
pedras lançadas contra um único pregador. Um espinho maligno infligindo diariamente
a carne de um homem santo.
A esta altura da conversa, você percebe a vista se
embaçando. Uma lágrima teimosa reluta em se desprender dos olhos. Muitos
pensamentos lhe surgem a mente, mas apenas uma frase se concretiza nos lábios. - Vale a pena? Então,
instintivamente você se aproxima das grades. Deseja vê-lo mais de perto.
Respirar o mesmo ar. Sentir a energia espiritual, que só agora, sente
reverberando em cada partícula suspensa.
- Depois
de tanta dedicação a uma causa, tudo o que lhe resta é sentar-se nesta cela
escura, enquanto espera para ser assassinado? Será que a vida que escolheu viver, realmente
valeu a pena?
O homem condenado sorri. Ele retribui a
aproximação. Dobra cuidadosamente o papel em suas mãos, e o coloca gentilmente
no chão. Usando as paredes da cela como apoio, se levanta com alguma
dificuldade, como se sentisse câimbras, e caminha lentamente em direção as
grades. Agora, já é possível olhar em seus olhos. Olhos meigos. Olhar
imponente. Ele move seus lábios e diz com total convicção:
- Valeu a
pena? Como assim? Não haveria sentido em uma vida diferente! Para mim, o viver
é Cristo, e o morrer é ganho! (Filipenses 1:21)
Paulo. Conhecemos sua história e repetimos suas
palavras. Admirado por “duzentos” em cada “cem” teólogos. O apóstolo dos
gentios. O maior evangelista de todos os tempos. Fundador de incontáveis igrejas.
Herói da Fé. Um Campeão do Céu. Sem dúvidas, o exemplo máximo de um vencedor.
Será?
Creio que Paulo não se encaixaria no estereótipo “apostólico”
que a nossa geração insiste em idolatrar. Paulo não andava em carros SUV e nem
frequentava restaurantes luxuosos. Não se vangloriava por igrejas abarrotadas ou
atendia suas ovelhas em salas pastorais refrigeradas. Na verdade, se Paulo
vivesse entre nós, provavelmente o criticaríamos severamente por seus
comportamentos peculiares. Por instante, me imagino ouvindo os burburinhos da
congregação, cada vez que ele tomasse nas mãos o microfone para uma rápida saudação:
- Este
homem vive doente... Com certeza está em pecado!
- Soube
que ele estava em outro navio que afundou... Misericórdia... Deve estar
carregado de encostos... Precisa orar mais!
- Você já
viu este irmão namorando alguma moça? Sei não... Acho que ele não é chegado na “fruta”...
Se é que me entende...
- Vai
viajar outra vez? Não tem nenhum comprometimento com a nossa igreja, mesmo...
- Ouvi
dizer que ele envia “cartinhas” para rapazinhos de outras cidades... Nunca me
enganou!
- Parece
que está trabalhando como servente... Ainda ontem era funcionário do governo! Deus
humilha os soberbos! Oh, Glória!
- Você
acredita que na semana passada ele foi preso? Que vergonha para o evangelho! Se ficasse em casa cuidando da própria vida,
certamente não se meteria em tanta confusão. Mas, gosta de “bater perna”...
Fazer o que? Cada um tem o que merece!
Escrevi estas linhas com dor no coração. Em parte,
porque são mais que um mero exercício imaginativo, e sim a reprodução dos
pensamentos de pessoas que conheço realmente. Mas, principalmente, por
constatar como a nossa geração está propensa a inverter valores. Medindo o
sucesso ministerial com equipamentos descalibrados. Calculando o progresso espiritual
com a fórmula equivocada. Invertendo o pódio. Se vislumbrando com os aplausos. Se
rendendo as distrações do caminho. E tudo isto, nada mais é que um lubrificante
viscoso descendo a montanha, nos levando para baixo, enquanto fantasiamos
ascender. "Eu", sendo derrotado por "mim".
Paulo x Paulo é uma batalha que se repete inúmeras
vezes pelas páginas do Novo Testamento. Saulo
x Paulo. Odre Novo x Odre Velho. Vinho Novo x Vinho Velho. Vida x Morte. E o apóstolo sempre fez as
escolhas corretas. Venceu todas as guerras que travou contra si mesmo. Escalou
a montanha sem olhar para baixo, mesmo que inúmeras vozes clamassem por sua
queda. Um verdadeiro vencedor. Campeão do Céu. Surdo aos apelos mundanos e
pronto a ouvir (e obedecer) a voz de
Deus. Até o fim.
As promessas bíblicas que citei no início deste
texto, estão compiladas nas primeiras páginas de Apocalipse. Foram inseridas
pelo próprio Cristo, nas cartas destinadas as igrejas da Ásia. Uma delas,
porém, possui uma característica especial, já que não contém nenhuma promessa
feita a “vencedores”. Na verdade, há uma mensagem do Jesus glorificado, alertando
a igreja de Esmirna sobre as dificuldades da escalada. – Alguns de vós serão presos por causa do meu nome, pois um tempo de
tribulação está chegado, onde o próprio Diabo se levantará contra vocês. E
então, o Senhor os esforça a perseverança - Não
tenham medo! E faz uma promessa destinada apenas para os sobreviventes
eternais: - Seja fiel até a morte, e Eu
te darei a Coroa da Vida! (Apocalipse 2:10).
Ser vitorioso no contexto bíblico não é chegar em
primeiro. Nem mais rápido. Basta chegar. Não desistir no meio da escalada. Não retroceder
no caminho. Não se corromper na jornada. Campeões do Céu tem uma característica
que os torna iguais. PERSEVERANÇA. Persistir, insistir e nunca desistir. Dizer "sim" para Deus, quando o próprio “EU”
pede "não". Para eles, a gravidade é mais intensa na atmosfera do que no núcleo
da terra. Pisam no solo, enquanto mantem a cabeça nas alturas. Gente
que “cai para cima”, “recua para frente” e “morre para vida”. Abrem mão da existência
terrena, para viver a plenitude das promessas na eternidade. Sobreviventes
eternais. Vencedores! Campeões!
Paulo entregou sua vida sem reservas para Deus. - Fui crucificado com Cristo. Assim, já não
sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo,
vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. (Gálatas
2:20-21). A recompensa
terrena que o apóstolo recebeu foi um golpe duro, frio e certeiro da lamina do
carrasco. Porém, antes mesmo que a cabeça decapitada tocasse o chão romano, seu espírito
voava em direção a Deus. Nas mãos, o fruto de um trabalho penoso e sacrificial.
Almas. Milhares. Ganhas em vida. Ganhas na morte.
Voltando a prisão de Roma, lá está você encostado
na parede, refletindo sobre a vida. Ao lado, as grades estão abertas, e cela
vazia. Lá dentro, sobre o chão, o papel dobrado, onde provavelmente, o
prisioneiro de Cristo deixou um bilhete de despedida. Seu desabafo. Suas frustrações.
Você entra na cela, se inclina e toma o papel amarelado nas mãos. Desdobra
cuidadosamente. Enquanto lê, os olhos se encharcam, e uma gota quente cai sobre
o ponto final. Você desaba ajoelhado sobre o chão manchado de sangue. O papel
flutua lentamente pelo ar, até repousar na pedra fria. Suas mãos agora estão
sobre os olhos, tentando inutilmente conter as lágrimas. Alguém tinha concluído
a escalada. Provado que é possível chegar ao topo. Ser um vencedor mesmo sem “vencer”.
Ainda que os homens não reconheçam a vitória, uma marcha vitoriosa reverbera
pelos céus, enquanto o campeão ultrapassa a linha de chegada.
Você se recompõe. Levanta, e caminha em direção a
saída. E então, se lembra do pedaço de papel. Ele não pode ficar ali. Aquelas
são palavras precisos demais, e o mundo precisa conhece-las. A última mensagem
de um homem que escolheu viver por Cristo, e por Ele, aceitou agradecido o
convite da morte.
- Combati
o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé! Sei que agora me espera a
Coroa da Justiça, que para mim foi guardada, e que o Justo Juiz me entregará
naquele grande dia. Não só a mim, mas para todos aqueles que viverem por Ele!
(II Timóteo 4:7-8)
Boa Escalada!
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