Há perguntas que
Deus não faz para obter respostas. Ele pergunta apenas para despertar memórias
adormecidas dentro da alma:
“Pode uma mãe se
esquecer do filho que gerou?”
E, por um instante,
o coração humano se cala diante da imagem. Porque existe algo quase eterno no
colo de uma mãe. Há um tipo de amor que nasce antes do rosto, antes da voz,
antes mesmo do primeiro choro. Um vínculo tecido no invisível, costurado entre
sangue, dor e esperança. O ventre se torna morada; o coração aprende a bater em
dois corpos ao mesmo tempo.
Como imaginar que
uma mãe se esqueça?
Mas Deus continua.
“Ainda que ela se
esquecesse… Eu não me esquecerei de vocês.”
E então o amor
humano, tão profundo aos nossos olhos, se revela apenas sombra tímida de um
amor maior. Porque o amor de Deus não depende da constância dos afetos humanos.
Ele não enfraquece com a distância, não adormece com o tempo, não se rompe
diante das nossas ausências.
Nós esquecemos.
Nós nos afastamos.
Nós nos perdemos
dentro de nós mesmos.
Mas Ele permanece.
Há dias em que
tentamos fugir desse amor como quem foge da própria luz. Caminhamos para longe
acreditando que distância produz esquecimento. Construímos paredes, enterramos
orações, silenciamos lágrimas e fingimos independência. Ainda assim, em algum
lugar profundo da alma, continuamos ouvindo os passos de Deus atravessando
nossos desertos.
Porque existem
amores que visitam.
Mas o amor de Deus
habita.
Ele ama com
permanência.
Ama sem pressa.
Ama sem desistir.
Enquanto o mundo
condiciona o afeto ao merecimento, Deus continua chamando filhos cansados pelo
nome. Quando todos os altares da vida exigem desempenho, Ele oferece abrigo.
Quando a culpa nos convence de que somos esquecíveis, Ele grava nossa
existência nas marcas eternas de Sua memória. Seu amor não é distraído. Não é
passageiro. Não sofre erosão do tempo. É amor que atravessa a morte sem perder
a ternura. É amor que entra no túmulo para nos ensinar que nem o fim consegue vencê-lo.
É amor que nos encontra até quando tentamos nos esconder de nós mesmos.
Talvez seja esse o
maior mistério da graça: não é apenas que buscamos a Deus… é que, desde o
princípio, era Ele quem nunca deixou de nos procurar.
Ele ama mães. Ama
filhos. Ama órfãos de afetos. Ama corações cansados de existir. E mesmo quando
o mundo inteiro se torna silencioso demais, ainda existe uma Voz eterna
sussurrando sobre nós:
"Eu não me esqueci.”

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