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segunda-feira, 20 de julho de 2026

INCANSÁVEIS ESCAVADORES DE POÇOS


Não se engane... os entulhadores de poços estão — irritantemente — empenhados nessa infame tarefa. São insistentes, arrogantes e presunçosos. Consideram sucesso a destruição do trabalho alheio. Alimentam-se do atraso dos projetos, da interrupção dos sonhos e do sufocamento dos legados. Onde alguém cava com esperança, eles chegam carregando entulho.

 
Foi exatamente isso que aconteceu com Isaque. Os poços que haviam sido abertos por seu pai, Abraão, eram muito mais do que buracos no chão. Eram memória, sobrevivência, herança e promessa. Eram testemunhos de que Deus havia passado por aquele lugar. Entretanto, depois da morte de Abraão, os filisteus fizeram questão de entulhá-los. Não porque precisassem da terra, mas porque não suportavam a lembrança de que Deus havia feito prosperar um homem entre eles.
 
Gente que não quer possuir aquilo que é do outro... quer apenas impedir que o outro desfrute do favor do próprio Deus.
 
Não é diferente conosco. Existem pessoas que tentam entulhar nossa fé com dúvidas, nossa vocação com críticas, nossos relacionamentos com ofensas, nossos sonhos com desprezo e nossa esperança com o peso das decepções. Os entulhadores sempre existirão. Eles encontram satisfação onde outros encontram propósito.
 
Contra eles, mantenha-se irredutível. Não desperdice suas forças tentando convencê-los, tampouco permita que determinem o destino daquilo que Deus colocou em suas mãos. Há batalhas que não se vencem com argumentos, mas com perseverança.
 
Existe uma ferramenta poderosa e infalível, capaz de vencer toda a insistência dos entulhadores: a perseverança dos escavadores.
 
Isaque sabia que qualquer poço que abrisse poderia ser tomado, disputado ou novamente entulhado. Ainda assim, cavou. A coragem dele não estava na garantia do sucesso, mas na convicção de que desistir jamais produziria água. Ele reabriu os antigos poços de Abraão. Isso nos ensina que algumas gerações não precisam inventar novas fontes; precisam apenas remover o entulho que cobre verdades antigas. Há promessas esquecidas debaixo da terra. Há princípios soterrados pela pressa. Há intimidade com Deus escondida sob camadas de distração.
 
Reabrir também é um ato de fé.
 
Mas Isaque não viveu apenas de herança.
Ele continuou cavando.
 
O primeiro poço disputado recebeu o nome de Eseque, que significa "contenda". A água apareceu, mas, junto dela, surgiram aqueles que reivindicavam aquilo que não haviam construído. É assim na vida. Muitas vezes, a primeira batalha não é contra a escassez, mas contra a oposição. Há quem queira transformar sua conquista em conflito, sua bênção em discussão, seu chamado em competição. Nem toda contenda merece resposta. Algumas merecem apenas uma pá nas mãos e a decisão de continuar cavando em outro lugar.
Então Isaque cavou novamente.
 
O segundo poço foi chamado Sitna, "inimizade" ou "acusação". Se em Eseque havia disputa, em Sitna a resistência tornou-se ainda mais pessoal. A oposição deixou de ser circunstancial e passou a ser intencional. Quantas vezes também atravessamos os territórios de Sitna? São dias em que somos mal interpretados, injustiçados, acusados ou combatidos sem razão aparente. Nesses momentos, a tentação é abandonar a missão. Mas Isaque nos ensina que há ocasiões em que a resposta mais madura não é permanecer brigando, mas permanecer caminhando.
 
E ele cavou outra vez.
 
Foi então que surgiu Reobote, cujo significado é "lugares amplos" ou "espaço". Depois da contenda e da inimizade, Deus lhe deu amplitude. Não porque os inimigos desapareceram, mas porque chegou o tempo em que ninguém mais conseguiria impedir aquilo que Deus havia decidido estabelecer. Algumas bênçãos não acontecem quando nossos adversários mudam; acontecem quando Deus decide abrir espaço onde antes só havia limites.
 
Reobote é o lugar onde entendemos que a perseverança sempre encontra recompensa. Quem suporta Eseque e atravessa Sitna acaba descobrindo que Deus continua sendo especialista em preparar lugares largos para quem se recusa a desistir.
 
Mas a história ainda não termina ali.
 
De Reobote, Isaque seguiu para Berseba. Ali não encontrou apenas um poço; encontrou um altar. Antes de consolidar a água, consolidou a adoração. Antes de celebrar a provisão, celebrou o Provedor. Naquela noite, Deus lhe apareceu dizendo: "Não temas, porque eu sou contigo." Há uma lição preciosa nisso: os poços sustentam a vida, mas é a presença de Deus que sustenta quem cava.
 
Depois do altar, seus servos cavaram mais uma vez e encontraram água. A sequência é reveladora. Primeiro a presença, depois a provisão. Primeiro Deus reafirma Sua aliança; depois confirma Sua fidelidade. Talvez este seja o grande segredo da perseverança. Os entulhadores trabalham olhando para o passado; os escavadores trabalham olhando para a fonte. Uns concentram esforços para cobrir a água. Outros concentram forças para alcançá-la novamente.
 
Nunca permita que a determinação do inimigo para entulhar seus poços seja maior do que sua disposição para abri-los. Que a insistência de quem destrói jamais supere a perseverança de quem constrói. Continue escavando.
 
Se encontrar Eseque, não transforme a contenda em morada.
Se atravessar Sitna, não permita que a inimizade enterre sua vocação.
Até que Deus o conduza a Reobote, onde haverá espaço suficiente para florescer.
 
E quando chegar a Berseba, não se esqueça de erguer um altar antes de celebrar o poço.
Porque os entulhadores podem cobrir a terra por um tempo, mas jamais conseguirão secar a fonte que Deus determinou para aqueles que permanecem cavando.
 
No fim, não prevalece quem mais entulhou, mas quem nunca desistiu de escavar. A água sempre recompensa aqueles que tiveram mais perseverança para cavar do que seus inimigos tiveram persistência para entulhar.



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