Existe algo
desconcertante nas palavras de Jesus. Ele está falando sobre grandeza, mas
redefine completamente o que significa ser grande: “Seja servo.”
“Não será
assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja
vosso serviçal; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso
servo; bem como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e
dar a sua vida em resgate de muitos”. (Mateus 20:26-28)
Para nós,
grandeza - quase sempre - está associada à posição, ao reconhecimento, à
autoridade, ao lugar ocupado, à quantidade de pessoas que nos servem. Jesus,
porém, aponta para outra direção. E então Ele coloca a si mesmo como o maior
exemplo.
“O Filho do
Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de
muitos.”
Jesus escolhe
chamar a si mesmo de Filho do Homem. A expressão carrega uma beleza paradoxal.
Ela aponta para sua identificação com a humanidade — com o cansaço, a dor, a
fome, a sede, o sofrimento — mas, ao mesmo tempo, ecoa a visão profética de Daniel
7:13-14 : “E eis que vinha com as nuvens do céu um como o filho do homem.”
Aquele que
aparece em Daniel recebe domínio, glória e reino. É o Rei celestial. É
o Senhor diante de quem os povos se dobram. E, ainda assim, quando esse
Rei chega à terra, Ele não vem procurando quem lhe sirva. Ele vem para
servir. E aqui está a pergunta que deveria nos incomodar: Por que um Rei
celestial tem como missão servir, enquanto nós, simples mortais, ainda
preferimos viver na lógica do “a nosso serviço”?
Possivelmente a
resposta seja simples. Ainda não entendemos a nobreza de servir. Ainda estamos
presos a velhos conceitos de grandeza. Ainda confundimos autoridade com
superioridade. Ainda pensamos que ser servido é sinal de importância. Jesus
veio nos ensinar que, no Reino de Deus, existe uma grandeza que se ajoelha. Existe
uma autoridade que lava pés. Existe um Rei que
serve. Não porque precisa ou é ordenado. Porque escolhe. E escolhe porque ama.
E talvez seja
exatamente por isso que precisamos voltar a uma antiga história sobre um servo...
e o amor que sentia
Em Êxodo 21,
encontramos uma legislação relacionada ao servo hebreu: “Se comprares um
servo hebreu, seis anos servirá; mas, ao sétimo, sairá forro, de graça.” Aquele
homem não seria servo para sempre. Havia um tempo determinado. Se entrasse
sozinho, sairia sozinho. Se entrasse casado, sua mulher sairia com ele. Mas
havia uma situação diferente. O servo poderia escolher ficar: - “Eu amo a
meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos, não quero sair forro.”
Na sociedade
hebraica, a servidão muitas vezes nascia da dor. Um homem poderia tornar-se
servo por causa de uma dívida que não conseguia pagar. Poderia vender sua força
de trabalho por causa da pobreza extrema. Poderia servir como forma de
restituição por um dano que não conseguia reparar. Em determinadas
circunstâncias, permanecer numa casa estruturada poderia significar proteção
contra uma vida de miséria. A servidão estava relacionada às condições da vida.
Você se tornava servo porque havia algo em sua história que o havia colocado
naquela condição.
E talvez exista
aqui uma imagem espiritual que precisamos compreender. Muitas vezes, nós também
chegamos a Cristo por causa daquilo que Ele pode fazer. Chegamos carregando
dívidas. Chegamos feridos. Chegamos cansados. Chegamos quebrados. Chegamos
procurando alguém que possa fazer alguma coisa com aquilo que nós mesmos não
conseguimos resolver. Chegamos a Jesus porque sabemos que Ele pode perdoar
nossas dívidas. Pode curar nossas feridas. Pode restaurar nossa história. Pode
carregar nossos fardos. Pode transformar nossa casa. Pode fazer aquilo que
ninguém mais consegue fazer.
Nós nos
achegamos a Jesus pelo que Ele pode fazer.
Mas então
acontece alguma coisa. Uma coisa santa. Uma coisa que muda tudo. Nos
apaixonamos por Ele. E quando isso acontece, a relação muda. Porque chega um
momento em que deixamos de servir Jesus apenas pelo que Ele faz... e começamos
a servi-lo por quem Ele é.
Voltemos ao êxodo.
O servo alforriado estava livre. Aquele homem tinha direito à liberdade. A
porta estava aberta. Ele poderia partir. Ninguém precisava obrigá-lo a
permanecer. Mas ele escolhe ficar. Por amor.
Essa é uma das
imagens mais bonitas de toda a legislação do Antigo Testamento.
Ninguém deveria
ser servo para sempre...
a menos que escolhesse permanecer.
E essa não é
uma história sobre prisão. É uma história sobre amor. O homem experimentou um
bom senhor. Construiu vínculos. Encontrou pertencimento. Encontrou uma casa. Encontrou
uma família. E então percebeu que a liberdade de sair não era mais desejável do
que a alegria de permanecer.
“Eu amo meu
senhor.”
“Eu poderia ir embora, mas não quero.”
“Eu poderia ser livre, mas escolho ficar.”
“Eu não permaneço porque preciso.”
“Eu permaneço porque amo.”
É aqui que o
serviço muda de natureza. Porque existe uma grande diferença entre servir por
obrigação e servir por amor. O primeiro trabalha para receber. O segundo
trabalha porque já recebeu. O primeiro pergunta: “O que eu ganho?” O segundo
pergunta: “O que posso fazer?” Deus não força permanência. Ele permite escolha.
E talvez uma das maiores expressões de amor seja exatamente esta: poder ir
embora e escolher ficar.
Há pessoas que
permanecem com Deus enquanto tudo vai bem. Mas há uma profundidade espiritual
que nasce quando alguém olha para o Senhor em meio à dor e diz: “Ainda assim,
eu fico.” Quando a oração não foi respondida como queríamos: “Eu fico.” Quando
o caminho ficou difícil: “Eu fico.” Quando ninguém está vendo: “Eu fico.” Quando
poderia abandonar tudo: “Eu fico.”
Porque chega
uma hora em que deixamos de servi-lo pelo que Ele faz...
e passamos a servi-lo por quem Ele é.
E ficar é aceitar que Ele é Senhor.
Então acontece
algo extraordinário: “Seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta,
ou ao postigo, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e o servirá
para sempre.” Aquele homem é levado à porta. A decisão que antes era interior
agora se torna pública. Ele não apenas diz que ficará. Ele é marcado porque
decidiu ficar. A orelha é furada.
Aquela marca
carregava uma mensagem:
“Eu escolhi este senhor.”
“Eu escolhi esta casa.”
“Eu escolhi permanecer.”
É uma marca de
aliança. Uma marca de entrega. Uma marca de uma decisão definitiva. E existe
algo profundamente simbólico nisso: a orelha é o lugar que ouve. O servo que
escolheu permanecer agora tem uma marca justamente no lugar pelo qual recebe as
ordens do seu senhor. A orelha furada se torna uma espécie de declaração: “Minha
vida começa naquilo que meu Senhor diz.”
Por isso o Salmo 40:6 declara: “Sacrifício e oferta não quiseste; abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado não exigiste.” No hebraico, a imagem utilizada é extremamente expressiva: a ideia de abrir, cavar ou perfurar os ouvidos. É como se Deus estivesse dizendo: “Antes de querer suas mãos trabalhando, quero seus ouvidos atentos.” Porque Deus não procura apenas pessoas ocupadas. Ele procura pessoas disponíveis. Não basta fazer. É preciso ouvir. Não basta trabalhar para Deus. É preciso ouvir Deus.
Isso me lembra
os discípulos. Houveram momentos em que eles poderiam ir embora.
E alguns foram. Mas houve um momento em que Jesus perguntou aos Doze: - “Quereis vós também retirar-vos?” Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.”
Que declaração!
Pedro não está dizendo: “Não vamos embora porque tudo está fácil.” Ele está
dizendo: “Não temos para onde ir.” Eles haviam descoberto algo. Aquele
relacionamento já não era baseado apenas nos milagres. Não era apenas pelos
pães multiplicados. Não era apenas pelos enfermos curados. Não era apenas pelos
demônios expulsos. Eles haviam encontrado o Senhor. E quando você encontra o
Senhor, algumas coisas mudam. Você deixa de perguntar apenas: “O que Ele pode
fazer por mim?” E começa a perguntar: “O que Ele deseja de mim?” Você deixa de
servi-lo pelo que recebe. E começa a servi-lo porque ama. Você se torna
disponível. Você permanece. Você ouve. Você obedece. Você carrega a marca de
quem decidiu ficar.
Ficar... tudo
bem. Mas não quero a dor de uma orelha furada. Preciso mesmo passar por este
processo doloroso
Sim. E não carregaremos
marcas sozinhos. Porque, antes de nos pedir para carregar uma marca... Jesus
carregou marcas por nós. Antes de nos ensinar a servir... Ele se tornou servo. Antes
de nos pedir permanência... Ele permaneceu na cruz. Antes de nos pedir
entrega... Ele entregou a própria vida. O Filho do Homem não veio para ser
servido, mas para servir... e dar a sua vida em resgate de muitos.
O Rei celestial
veio como servo. O Senhor tornou-se servo. Aquele que deveria ser servido
colocou-se à disposição dos que não mereciam servi-lo.
O servo de Êxodo teve a orelha furada.
Teremos a orelha furada.
Ele teve as costas
feridas. Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas
iniquidades. Ele teve a fronte ferida. Uma coroa de espinhos foi pressionada
contra sua cabeça. Ele teve as mãos furadas. As mesmas mãos que tocaram
leprosos. As mesmas mãos que levantaram enfermos. As mesmas mãos que partiram o
pão. As mesmas mãos que abençoaram crianças. Agora estavam atravessadas pelos
cravos. Ele teve os pés furados. Os pés que percorreram estradas para encontrar
os perdidos. Os pés que foram até a casa dos necessitados. Os pés que
caminharam em direção ao Calvário. Foram atravessados. E seu lado foi aberto
pela lança. Saiu sangue e água. A medicina moderna descreve fenômenos como
derrame pleural e pericárdico, mas o ponto do texto bíblico não é explicar
clinicamente a morte de Jesus. É revelar que o corpo daquele Servo foi
verdadeiramente entregue.
Ele não encenou
o sofrimento.
Ele não simulou a cruz.
Ele deu o seu corpo.
O Salmo 40 diz:
“Sacrifício e oferta não quiseste; abriste os meus ouvidos.” A Septuaginta
traduz essa passagem de uma forma diferente: “Um corpo me preparaste.” E o
autor de Hebreus retoma essa linguagem: “Por isso, ao entrar no mundo, diz:
Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste.” (Hebreus 10:5)
O que o Salmo
apresenta como ouvido aberto aparece em Hebreus como corpo preparado. E isso
nos conduz ao centro do Evangelho: Cristo não veio apenas para ouvir a vontade
do Pai. Cristo veio para entregar o corpo à vontade do Pai.
O servo da
orelha furada dizia:
“Eu fico porque amo meu senhor.”
Jesus, na cruz, disse com o próprio corpo:
“Eu fico porque amo vocês.”
Talvez possamos
chamá-lo assim:
O Servo das costas furadas.
O Servo da fronte furada.
O Servo das mãos furadas.
O Servo dos pés furados.
O Servo do lado traspassado.
O servo de
Êxodo tinha uma pequena marca que dizia:
“Eu escolhi permanecer.”
Jesus carregou marcas que dizem:
“Eu escolhi amar.”
Uma sovela
atravessou a orelha do servo.
Pregos atravessaram as mãos e os pés de Cristo.
O servo de
Êxodo foi marcado porque amava seu senhor.
Jesus foi marcado porque nos amou.
O servo decidiu
permanecer numa casa.
Jesus permaneceu na cruz.
O servo
entregou sua liberdade por amor.
Jesus entregou sua própria vida por amor.
Um carregou uma
pequena marca de amor.
O outro carregou no corpo inteiro as marcas do amor.
Jesus começa
dizendo: “Qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo.” Mas,
mais tarde, Ele diz aos seus discípulos: “Já não os chamo servos... Em vez
disso, eu os tenho chamado amigos.” Que caminho extraordinário! Começamos como
servos. Aprendemos a ouvir. Aprendemos a obedecer. Aprendemos a permanecer. Aprendemos
a servir. Mas então descobrimos que o Senhor que servimos não quer apenas
trabalhadores. Ele quer amigos. Ele nos revela o coração do Pai. Ele
compartilha conosco aquilo que ouviu do Pai. Ele nos chama para perto. Ele nos
escolhe. Ele nos envia.
Ele nos dá uma missão:
Nós chegamos a
Cristo pelo que Ele pode fazer. Permanecemos por causa de quem Ele é. Servimos
porque o amamos. Obedecemos porque ouvimos sua voz. E descobrimos que, enquanto
servíamos ao Senhor, Ele estava nos chamando de amigos.
Então, o que
significa ser hoje um servo da orelha furada?
É permanecer
quando poderia ir embora. É amar a Deus acima da própria conveniência. É
escolher a fidelidade quando seria mais fácil desistir. É colocar o ouvido à
disposição da voz de Deus. É obedecer mesmo quando ainda não entendemos. É
estar disponível para servir sem reservas. É dizer: “Eu poderia ir, mas escolho
ficar.” “Eu poderia viver para mim, mas escolho viver para Ele.” “Eu poderia
buscar ser servido, mas aprendi com meu Rei a servir.”
Acima de tudo,
é olhar para Cristo. Porque a nossa fidelidade nunca começa na nossa força. Começa
na contemplação das marcas dele. Nós olhamos para as nossas pequenas marcas de
obediência... e encontramos um Salvador coberto de marcas de amor. Nós pensamos
na nossa orelha furada... e lembramos das mãos dele furadas. Pensamos na nossa
disposição para servir... e lembramos das costas dele marcadas pelo açoite. Pensamos
na nossa permanência...e lembramos que Ele permaneceu até o fim. Pensamos no
nosso amor... e lembramos que Ele nos amou primeiro.
“Nisto está
o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós e
enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1 João 4:10)
Por isso, a
pergunta final não é: “Você está disposto a servir?” A pergunta é mais
profunda: “Você já viu o suficiente do amor do Senhor para decidir ficar?”
Porque quem
realmente contempla o Servo ferido não consegue permanecer indiferente. Quem
olha para aquelas mãos furadas entende que servir não é humilhação. É honra. Quem
olha para aqueles pés atravessados entende que permanecer não é prisão. É amor.
Quem olha para aquela fronte ferida entende que seguir Cristo não é perder a
vida. É encontrá-la. E quem olha para o lado aberto de Cristo descobre que
existe um lugar onde a nossa liberdade deixa de ser uma fuga... e passa a ser
uma escolha de amor.
Então,
Senhor...
... fura a nossa orelha.
Ensina-nos a ouvir.
Ensina-nos a permanecer.
Ensina-nos a obedecer.
Ensina-nos a servir.
Não porque
precisamos comprar alguma coisa de ti. Não porque queremos receber algo em
troca. Mas porque já fomos alcançados pelo maior amor que este mundo conheceu.
Nós chegamos pelo que Tu podes fazer. Mas ficamos por quem Tu és. E se algum dia tivermos vontade de ir embora... que os nossos olhos encontrem novamente a cruz. Que olhemos para as mãos. Para os pés. Para a fronte. Para as costas. Para o lado aberto. E então nos lembremos: Ele não tinha uma orelha furada. Ele tinha um corpo inteiro entregue.
Eu fico.
Eu sirvo.
Eu pertenço.
Eu sou teu.
a menos que escolhesse permanecer.
“Eu poderia ir embora, mas não quero.”
“Eu poderia ser livre, mas escolho ficar.”
“Eu não permaneço porque preciso.”
“Eu permaneço porque amo.”
e passamos a servi-lo por quem Ele é.
E ficar é aceitar que Ele é Senhor.
“Eu escolhi este senhor.”
“Eu escolhi esta casa.”
“Eu escolhi permanecer.”
Por isso o Salmo 40:6 declara: “Sacrifício e oferta não quiseste; abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado não exigiste.” No hebraico, a imagem utilizada é extremamente expressiva: a ideia de abrir, cavar ou perfurar os ouvidos. É como se Deus estivesse dizendo: “Antes de querer suas mãos trabalhando, quero seus ouvidos atentos.” Porque Deus não procura apenas pessoas ocupadas. Ele procura pessoas disponíveis. Não basta fazer. É preciso ouvir. Não basta trabalhar para Deus. É preciso ouvir Deus.
E alguns foram. Mas houve um momento em que Jesus perguntou aos Doze: - “Quereis vós também retirar-vos?” Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.”
Teremos a orelha furada.
Ele não simulou a cruz.
Ele deu o seu corpo.
“Eu fico porque amo meu senhor.”
Jesus, na cruz, disse com o próprio corpo:
“Eu fico porque amo vocês.”
O Servo das costas furadas.
O Servo da fronte furada.
O Servo das mãos furadas.
O Servo dos pés furados.
O Servo do lado traspassado.
“Eu escolhi permanecer.”
Jesus carregou marcas que dizem:
“Eu escolhi amar.”
Pregos atravessaram as mãos e os pés de Cristo.
Jesus foi marcado porque nos amou.
Jesus permaneceu na cruz.
Jesus entregou sua própria vida por amor.
O outro carregou no corpo inteiro as marcas do amor.
Ele nos dá uma missão:
... fura a nossa orelha.
Ensina-nos a ouvir.
Ensina-nos a permanecer.
Ensina-nos a obedecer.
Ensina-nos a servir.
Nós chegamos pelo que Tu podes fazer. Mas ficamos por quem Tu és. E se algum dia tivermos vontade de ir embora... que os nossos olhos encontrem novamente a cruz. Que olhemos para as mãos. Para os pés. Para a fronte. Para as costas. Para o lado aberto. E então nos lembremos: Ele não tinha uma orelha furada. Ele tinha um corpo inteiro entregue.
Eu sirvo.
Eu pertenço.
Eu sou teu.
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