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sábado, 30 de setembro de 2017

Lembre-se de não esquecer

A vida cobra exatamente o valor devido.
(Luis Felipe Pavan)


Jeremias estava sentado sobre os escombros de Jerusalém, vivendo a plenitude de uma tragédia anunciada. Milhares de judeus foram deportados para a Babilônia. O grandioso Templo de Salomão jazia em ruínas. Os muros fendidos. As casas queimadas. Os objetos sagrados saqueados. Quando os caldeus se cansaram da barbárie e retornaram para casa, deixaram atrás de si, um amontado de cinzas e farrapos. Farrapos humanos. Cinzas humanas. Quem sobreviveu ao extermínio e escapou da deportação, não tinha nada para celebrar. Amigos mortos e familiares sequestrados. Nenhum teto para dormir. Nenhum muro para protege-los. Nenhum lugar para adorar. Fome, frio e vazio existencial. Nem mesmo um único fio de esperança.

O profeta lamenta a sorte de seu povo. – Se eles tivessem escutado! Se eles tivessem se lembrado! Sim. Tudo poderia ser diferente. Avisos não foram negados. Conselhos foram dados. A nuvem negra caminhou por um longo caminho antes da tempestade castigar a terra. E a meteorologia alertou sobre o perigo. O alarme tocou insistentemente por muitos anos. Alerta de furacão. Mas, ninguém se preparou. Casas de palha na rota de um tornado. O vento impetuoso arrancou até mesmo os alicerces. Jeremias sabia que não haveria futuro para aquela gente esquecida. Dias contados. Muitos morreriam de frio, e tantos outros de fome. A terra encharcada de tragédias, ainda tinha sede de sangue. Nem mesmo o profeta teria muitos dias de vida pela frente. Futuro ausente. 

Na ausência do “amanhã”, Jeremias se voltou para o “ontem”. Ele se lembrou das histórias contadas por seus pais e avós. As memórias que deveriam ser passadas de geração para geração, mas que infelizmente, caíram no esquecimento da grande maioria.

A promessa feita a Abraão, confirmada em Isaque e renovada com Jacó.
O crescimento espantoso dos hebreus durante os séculos de escravidão.
A miraculosa fuga do Egito.
O caminho aberto no meio no mar.
O pão que nunca faltou em meio ao deserto.
Os muros de Jericó.
As vitórias memoráveis contra inimigos poderosos.
A conquista da terra prometida.
A expansão do reino.
A voz de Deus na boca dos profetas.
As misericórdias infindas do Senhor....

- Disto eu vou me lembrar.... Nisto, terei esperança.
(Lamentações 03:21)

Vasculhar o passado na busca de esperança é um exercício doloroso. Significa que alguma coisa deu muito errado no presente. As somas de todos os erros resultaram num fracasso retumbante. A semeadura floresceu, porém, as flores são fétidas e os frutos amargos. O chão se transformou num pântano lamacento, no qual é impossível caminhar. Como diria a minha avó, “o frio chegou e te pegou de calças curtas”. Quando o “presente” é um pesadelo sonhado de olhos abertos, o “futuro” é uma distopia garantida. Não existe “amanhã” para um “hoje” despedaçado. E neste momento, quando a realidade da vida esbofeteia o rosto com a mesma intensidade que um boxeador golpeia seu adversário, olhamos para trás, na busca de alguma resposta. Um pouco de alento. Uma nova perspectiva.

O problema, é que não podemos mudar uma única vírgula do que já foi escrito. Cada página, parágrafo, frase e palavra contribuíram para que a história chegasse até este ponto. Não dá para refazer. Nem mudar. E é exatamente aqui, que uma pergunta ecoa na alma, trazendo lágrimas quentes ao rosto: - O que eu fiz da minha vida?

A grande questão, não é o que foi feito, mas sim, o que se pode fazer. Só se assenta sobre os escombros para chorar, quem sobreviveu a tempestade. Tragédias fecham ciclos, e nos dão a oportunidade de um novo recomeço. E é aí, que infelizmente, a grande maioria erra novamente. E recomeçar errado, é de fato, a maior de todas as tragédias. Quando os judeus olharam em volta e só viram ruínas, tomaram uma decisão estapafúrdia. Eles decidiram voltar ao Egito. 

Mas, não foi exatamente dali, que séculos antes, Deus os havia libertado? No Egito, os judeus foram flagelados, escravizados, assassinados. Ali, mães tiveram que afogar os próprios filhos. Pais assistiram impotentes, enquanto os soldados cortavam ao meio suas crianças. E por anos a fio, a nação clamava ao Senhor por socorro. E Deus os libertou. Feriu ao Egito com sua espada. Guiou Israel pelo deserto, lhes dando comida, proteção e calor. Como um pai que segura a mão de seu filho durante os primeiros passos, o Senhor conduziu seu povo rumo a Canaã. E na terra prometida, o Deus dos Exércitos lutou com eles. Gigantes caíram. Batalhões fugiram apavorados. Cidades foram conquistadas as dezenas. Uma terra boa, que manava leite e mel. Deus com o seu povo, amarrados com cordas de amor. E com o tempo, eles se esqueceram de tudo isto. Escolheram esquecer. Ao invés de seguirem em frente, e ocuparem as páginas em branco, decidiram rabiscar sobre os antigos capítulos.

Quem esquece seu passado, certamente vai vive-lo outra vez. Os judeus queriam reescrever sua história com uma caneta sem tinta. Sem Deus, o nada é apenas isto, nada. Jeremias entendia esta verdade. Ele se lembrou do Senhor e das suas misericórdias. Elas não têm fim, e mesmo assim, são renovadas todas as manhãs. A fidelidade do Senhor é a maior fonte de esperança que podemos ter. Porque Ele não esquece. Deus se lembra. A promessa que fez a Abraão. Os mandamentos entregues a Moisés. A redenção revelada aos profetas. O passado era um manancial de esperança. Um farol cortando a escuridão de um futuro desesperançado. Já que a tempestade chegou, era preciso olhar entre as nuvens buscando um raio de sol. Só existe arco-íris quando a chuva finalmente se rende à luz.

O povo não ouviu seu profeta. Jeremias foi sequestrado e levado a força para o Egito. Ali, sua voz continuou bradando, anunciando novas tempestades. E mais uma vez, os judeus se esqueceram do passado. Não se lembraram que o profeta sempre teve razão. Para silenciar o alarme que insistia em tocar, Jeremias foi assassinato. O portador morreu, mas, a mensagem continuou viva. Os sobreviventes da tragédia de Jerusalém, morreram as mínguas no Egito. Novas tragédias. O esquecimento cobrou seu preço. E ele foi alto. Quando nem mesmo a tragédia tem algo a nos ensinar, então, realmente, nada mais há para se viver.

Felizes são aqueles que não precisam da dor para se lembrar de Deus. Os que edificam sua casa sobre a rocha, muito antes da tormenta se avizinhar. Os que mantem acessa sua lamparina enquanto a noite não passa de ameaça. Os que já estão escondidos sob as asas do Altíssimo, no dia que o frio chega para seu abraço mortal. Quem escolhe se lembrar, antes de esquecer.

Salomão era um homem velho, decrepito e frustrado quando escreveu Eclesiastes. Ele desperdiçou seus melhores anos colecionando mulheres e riquezas. Seu coração se afastou do Senhor. Sua mente se esqueceu de Deus. E quando a velhice chegou, a vida cobrou o seu preço. O rei estava amargo, rancoroso e desesperançado. Tudo o que tinha vivido, não lhe tinha dado nenhum prazer eternal. A velhice bateu na porta, e a morte fez careta na janela. Nesta hora, ele se deparou com a pergunta cruel: - O que eu fiz da minha vida?

Mulheres... Vaidade!
Riquezas.... Vaidade!
Poder.... Vaidade!

Então, ele se lembrou de Deus. A única coisa que realmente importava era ter um relacionamento real, intenso e respeitoso com o Criador. Temer ao Senhor é, de fato, a mais sábia das decisões. Em Eclesiastes 3:1-7, num apelo desesperado, ele pede para não cometermos o mesmo erro. Não esquecer daquele que nos dá esperança.

Lembrem-se de Deus. Hoje. Agora. Enquanto a juventude é uma aliada.  Antes das decepções. Antes que os olhos fiquem cegos. Antes que os braços percam a força e as pernas se dobrem para sempre. Antes que não existam mais dentes na boca. Antes que nos ouvidos só haja silêncio. Antes da vertigem. Antes do tremor. Antes dos cabelos brancos. Antes que se perca a honra. Antes que a tragédia aconteça. Antes do alarme tocar. Antes do desfibrilador ser acionado. Antes que a nuvem negra se torne tempestade. Antes que o furacão se forme. Antes dos caldeus baterem na porta. Antes do Egito se revelar como a melhor das opções. Antes da morte gritar se nome. Antes da esperança ser apenas uma memória esquecida no passado. Antes de tudo. Antes do nada. Antes do fim. Antes do recomeço. Antes de esquecer... Lembre-se!

Lembre-se de quem te criou. Lembre-se de quem te deu a vida. Lembre-se dos mandamentos. Lembre-se dos juízos.  Lembre-se daquele que clareia a escuridão. Lembre-se do dono da chuva e do arco-íris. Lembre-se do dominador dos ventos. Lembre-se de não esquecer. E se por acaso esquecer, lembre-se que precisa se lembrar outra vez.


domingo, 24 de setembro de 2017

Um morto ainda pode cantar?

Louvar é o crente se encantar com a beleza do caráter de Deus.
(C.S. Lewis)


- Qual o seu artista gospel favorito? Se esta pergunta fosse feita aos moradores de Israel durante os reinados de Davi e Salomão, o nome de Hemã certamente estaria entre os três primeiros colocados. E com todo merecimento. Ele era o mais talentoso cimbaleiro do reino. Seus dedos ágeis transformavam qualquer címbalo num manancial de paz. Ao lado de Asafe e Etã, Hemã foi escolhido pelo próprio Davi, para ministrar o louvor no santuário. Hamã seria o que chamamos hoje de “popstar”. Tinha tudo para se sentir “acima da média”. Sobrava-lhe talento, e sua genética era invejável.

Ele era da linhagem levítica, pertencente ao clã dos coatitas. Filho de Joel, Hemã era neto de Samuel, o último juiz da nação, profeta reconhecido em todo reino e sacerdote responsável por ungir os primeiros reis de Israel. Dizem que a genética pula uma geração, e neste caso, pode mesmo ser verdade. Hamã foi chamado de profeta, assim como seu avô. Sua família, aliás, era abençoada. Quatorze filhos e três filhas. Todos, cantores e cantoras do Santuário. Musicistas talentosos e devotados. Foi Hamã o responsável pelo cortejo que trouxe a Arca da Aliança de volta a Jerusalém. Antes dele, o caminho havia sido marcado por erros e mortes. Sob sua orientação, a jornada se deu em paz, celebração e vida.

Nada disto lhe subiu à cabeça ou corrompeu sua humildade. Hemã entendia que seu ministério levítico era serviçal, e alegremente, se devotava ao serviço. Quando o rei lhe enviou para Gibeon, longe dos holofotes da capital, ele foi de bom grado. Não se preocupou com Asafe e Etã se mantendo em popularidade, enquanto ele era mantido em segundo plano. Sua honra era servir. Sua motivação sempre foi louvar à Deus. O nome que lhe foi dado, refletia seu caráter. Hemã significa “fiel”, e aquele, sem dúvidas, era um homem cuja fidelidade ao Senhor (e ao reino), ninguém ousaria questionar.

E foi exatamente este homem virtuoso, aparentemente invulnerável, que compôs o lamurioso Salmo 88. Se bem, que no cabeçalho destes versos, poderia muito bem constar o meu nome. Ou quem sabe, o seu.

Hamã era determinado, mas também sentia medos. Sua dedicação ao Senhor, atraia sobre ele olhares perniciosos e palavras maledicentes. Hemã se regozijava em Deus, porém, por vezes, se sentia fragilizado pelas ações humanas. Pontos de fraqueza num lençol branco de coragem. Parágrafos de dúvidas num texto sobre confiança. Um passo atrás enquanto se caminha para ao alvo. Dias ruins não são seletivos. Eles estão por aí, batendo na porta de salmistas, blogueiros e leitores. Todos estamos a sua mercê. E é apenas uma questão de tempo, até que o céu azul se converta num breu espesso e viscoso, capaz de amargar o ar que respiramos, ao ponto do amargor ser sentido na ponta da língua. E então, dias se tornam semanas. As semanas são engolidas pelos meses. Anos a fio. E Deus parece indiferente ao nosso sofrimento. Surdo ao nosso clamor. Impotente. E quando isto acontece, a vida deixa de fazer sentido. Morremos de dentro para fora.

O tempo se arrasta lentamente. A alma está cansada de vivenciar tantas maldades.  A vida se equilibra com dificuldades numa linha de nylon. No cemitério da existência, já é possível enxergar uma cova aberta, e na lápide, o mesmo nome que consta na RG que está no bolso. O futuro só reserva esquecimento. O fundo do poço é a porta de entrada para um abismo ainda mais obscuro. A gigantesca onda de fúria que açoita o pequeno barco, é apenas o recuo do mar anunciando a verdadeira tragédia. Solidão. Abandono. Desprezo. Os amigos estão longe e os inimigos se agrupam ao redor. Celas de prisão das quais não se pode fugir. E neste ponto, o maior desejo é que os olhos se tornem cegos, afim de não enxergar o rosto tenebroso da morte, fitando sua vítima com sádica alegria.

Antes que você me envie um WhatsApp com o contato do “Amigos da Vida”, quero deixar bem claro, que o parágrafo acima foi escrito por Hemã. Ele mesmo. O talentoso artista. O dedicado servo. O profeta. O levita. O homem temente e fiel. Algumas palavras estão diferentes. Uma ou outra licença poética pode ter sido tomada. Mas, nada altera a essência. Este era o cenário que contextualizava o poeta. Ele se sentia morto. Esquecido por todos. Abandonado. Abraçado por trevas. Nada somado a coisa alguma. Não sei exatamente a causa deste estado emocional, mas compreendo sua extensão. Todos temos fases enegrecidas. Causas não resolvidas. Respostas difíceis de se encontrar. Vivos caminhando para a sepultura. Mortos que relutam em sucumbir.

Um grande homem de Deus não é a prova de tristezas. Pensar no Reino dos Céus e na sua justiça, não é garantia que pensamentos soturnos deixem de pairar sob nossas mentes. Martin Lutero disse certa vez, que seria impossível proibir os pássaros de voarem sobre sua cabeça. Todos temos fraquezas. Anseios. Promessas sem o visto do check-list. E nestas horas, um pássaro melindroso, pousa e faz seu ninho. A dúvida engole a certeza. O medo soterra a confiança. A ansiedade anula as promessas. Hamã, não é uma exceção a esta regra. Mas, em meio as suas indagações, um ponto de luz piscou pálido na escuridão. Esperança. Um fio de esperança é o suficiente para não perder a fé. Um fragmento de fé é tudo que precisamos para viver um pequeno milagre. Um pequeno milagre é suficiente para transformar o mundo. Grandes incêndios começam com uma única faísca.

Hamã se sente morto. Tem dúvidas. E ele conhece o autor da vida. Sabe de onde provem as respostas. Então, emerge sua cabeça deste mar lamacento e pútrido, usa o fôlego que ainda lhe resta, e faz as perguntas que realmente precisam de respostas:

- Deus! Um morto ainda pode ver sua glória?

- Deus! Um cadáver pode se levantar e cantar?

- Deus! Tua bondade alcança o fundo de uma cova?

- Deus! Tua fidelidade é válida nos abismos?

- Deus! Por acaso tuas maravilhas se manifestam em meio as trevas?

- Deus! Tua justiça é feita na terra dos esquecidos?

Salmo 88. Poderia ter sido escrito por mim. Poderia ter sido escrito por você. Perguntas que todos fazemos. Respostas que todos buscamos. Ricos e pobres. Nobres e plebeus. Famosos e anônimos. Hamã´s e Miquéias. João´s, Pedro´s e Maria´s... Nossos gritos ecoam alto, e reverberam pelas paredes do poço no qual estamos nos afogando. O burburinho violento da água nos ouvidos. O eco de nossas desesperanças. O volume da angústia é mantido no máximo. E por vezes, se quer conseguimos ouvir as respostas que o lufar silencioso do vento traz. Uma mensagem diretamente do trono de Deus. 

Imagino que ao ouvir estas indagações, um meio sorriso se forma no rosto de Deus. Aqueles que se revelam no cantinho dos lábios. Não um riso de sarcasmo, mas, de compaixão. A complexidade empregada na pergunta, em nada condiz com a simplicidade da resposta.

Meu filho Nicolas, tem alergia a picada de insetos. Quando tinha uns três anos de idade, uma formiga picou a sola de seu pezinho. O inchaço foi quase imediato. O pé se transformou num pãozinho de morango brilhante. Quando cheguei do trabalho, ele estava aos prantos. Entre um soluço e outro, me fez a pergunta que angustiava seu coraçãozinho: - Pai, eu ainda vou poder andar? Neste momento, meu rosto emitiu um sorriso. Aquele que se revela no cantinho dos lábios. Não um riso de sarcasmo, mas, de compaixão. Eu sabia que o problema era infinitamente menor que a preocupação por ele gerada. E a resposta para aquele dilema assolador, se resumia numa única palavra. Absolutamente simples. – SIM!

Quando Hemã expõem ao Senhor o seu complexo dilema sobre a vida e a morte, Deus já tinha a resposta na ponta da língua. O Altíssimo tem o poder de formar um exército a partir de ossos sequíssimos. Criar o universo tendo o NADA como matéria prima. Sim! Ele pode revelar sua glória a vivos e mortos? Sim! Ele pode suscitar louvores de lábios moribundos? Sim! As trevas sucumbem ao poder?Sim! Seu amor excede o espaço e o tempo? Sim. Sua justiça está ao lado dos desprezados e esquecidos? Sim!

Jesus quando esteve na terra, nos mostrou um pouquinho deste poder. A vida subjugando a morte. A adolescente de Cafarnaum. O jovenzinho de Naum. O homem em Betânia. O túmulo vazio de Jerusalém. Nossas causas são menos complexas que as solucionadas por Cristo. Ainda estamos vivos. E servimos a um Deus que ressuscita mortos. Um túmulo lacrado e a picada de uma formiga, causam nele a mesma preocupação. Será que realmente existe alguma coisa que Ele não possa fazer por você?

Relaxe. Pare de gritar. Deixa a água se aquietar ao seu redor. E então ouça a voz. Deixe a resposta ecoar sobre as ondas. Reverberar dentro do poço. Romper as estruturas do sepulcro... SIM! SIM! SIM! Retorne a vida, e recomece a canção!