É justo que o Deus
onipotente permita que a dor visite os frágeis habitantes do tempo finito e do
espaço limitado?
Ou seria o sofrimento uma linguagem mais profunda que a razão, escrita pelo Deus onisciente sobre corações que ainda enxergam apenas microscópicos fragmentos da eternidade?
Aquilo que chamamos de ferida, talvez o céu conheça como lapidação. O que os homens interpretam como silêncio, talvez seja apenas uma resposta pronunciada em uma frequência que a alma ainda não aprendeu a ouvir.
Há dores que não nascem da ira, mas do amor. Um amor severo, porém santo. Um amor que prefere cicatrizes redentoras a condenações irreversíveis. Pois o Deus que tudo pode não desperdiça lágrimas, e o Deus que tudo sabe não permite tempestades sem contemplar o porto.
Nós contamos o tempo
em dias; Ele o contempla em eternidades. Nós vemos o corte exposto na pele; Ele
vê a cura. Nós sentimos o peso do processo; Ele conhece a glória do destino.
Talvez algumas das mais profundas obras da graça sejam realizadas precisamente nos lugares onde a alma sangra. Afinal, o ouro não teme o fogo porque o fogo não foi enviado para destruí-lo, mas para revelar aquilo que já estava escondido em sua essência.
Entre perguntas sem resposta, noites sem explicação e lágrimas que insistem em cair, permanece o mistério que atravessa os séculos: Seria a ausência de dor verdadeira misericórdia... ou a mais cruel das permissões?
Pois talvez o maior ato de amor não seja impedir toda lágrima, mas garantir que nenhuma delas caia em vão. A amor verdadeiro fere... para curar. O tempo decorrente entre a dor e o alivio passa pela teimosia relutante... na insistência em recalcitrar contra o amoroso aguilhão!
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