Galileia.
Maria carregava no ventre algo que sua pouca idade jamais poderia dimensionar. Havia dentro dela mais do que uma criança crescendo; havia o próprio Verbo caminhando silenciosamente em direção à carne. Deus havia decidido entrar na história humana, vestir-se de humanidade e caminhar entre os homens. E tudo isso começava no ventre de uma jovem que ainda aprendia a compreender os caminhos de Deus. Maria era jovem, inexperiente, e talvez nem pudesse imaginar a dimensão da batalha que aquela gestação provocaria. Enquanto seu corpo mudava lentamente, o mundo espiritual se movia ao redor de uma promessa que o inferno jamais desejaria ver nascer. Ela não carregava apenas um filho; carregava uma promessa capaz de dividir a história em antes e depois. Era grande demais para ser carregada sozinha.
Judeia.
Isabel também carregava uma vida dentro de si. Mas sua história havia sido escrita em páginas diferentes. Seu ventre já conhecera o silêncio de muitos anos, a espera que se alonga, a esperança que precisa sobreviver quando as circunstâncias parecem enterrá-la. Isabel era idosa. Havia atravessado o território da impossibilidade e chegado a um lugar onde somente a graça poderia explicar o que estava acontecendo. Agora, dentro dela, crescia João, aquele que prepararia o caminho, aplainaria as veredas e levantaria sua voz diante do mundo para anunciar o Cordeiro de Deus. Isabel não carregava o Cristo, mas carregava aquele que prepararia os caminhos para que o Cristo fosse reconhecido.
Galileia.
Maria tinha dentro de si uma promessa que ainda era maior do que sua compreensão. Havia recebido uma palavra que não cabia nos limites da experiência humana. Ela sabia o que Deus havia dito, mas ainda não conhecia todos os caminhos pelos quais aquela palavra haveria de passar. Precisava aprender a caminhar enquanto a promessa crescia. Precisava confiar quando não podia explicar. Seu ventre começava a revelar, pouco a pouco, aquilo que sua alma havia recebido pela fé. Maria gerava Jesus sem conseguir enxergar, naquele primeiro momento, toda a eternidade escondida dentro daquela pequena vida.
Judeia.
Isabel, entretanto, carregava no próprio corpo a memória de uma espera. Seu ventre era quase uma parábola viva sobre a fidelidade de Deus. Ela conhecia os dias em que a promessa parecia distante demais, as noites em que o coração pergunta quanto tempo ainda será necessário esperar. Por isso, talvez pudesse ensinar Maria sobre os silêncios que antecedem os milagres. Isabel havia aprendido que Deus não perde o controle quando o tempo parece atrasado. Que o relógio dos homens não apressa nem interrompe os propósitos do céu. Seu ventre dizia, silenciosamente, que aquilo que Deus promete pode atravessar anos sem deixar de ser promessa.
Maria carregava
o novo.
Isabel carregava o vivido.
Maria estava
diante de um caminho que jamais havia percorrido; Isabel já havia aprendido
algumas das lições que somente o tempo consegue ensinar. Uma precisava de olhos
experientes para ajudá-la a discernir a grandeza do que estava acontecendo. A
outra precisava contemplar uma promessa tão extraordinária que renovasse sua
própria percepção sobre aquilo que Deus ainda poderia fazer.
Maria tinha a
promessa.
Isabel tinha a experiência.
Maria carregava
aquilo que estava chegando.
Isabel carregava a memória de quem já havia esperado.
Então Deus
aproximou os dois ventres. Fez com que uma jovem atravessasse seu caminho até
encontrar uma mulher mais velha, e naquele encontro aparentemente simples o céu
começou a revelar uma beleza que nenhuma das duas poderia construir sozinha.
Maria chegou
carregando Jesus.
Isabel recebeu Maria carregando João.
E, de repente,
os dois meninos ainda escondidos no ventre já participavam de uma história
maior do que suas próprias mães poderiam compreender.
Um prepararia o
caminho.
O outro seria o Caminho.
Talvez seja por
isso que Deus tenha feito essas duas mulheres se encontrarem. Porque há
encontros que não são apenas encontros; são cruzamentos de propósitos. Há
pessoas que Deus aproxima não simplesmente para nos fazer companhia, mas para
proteger aquilo que ainda está nascendo dentro de nós.
Maria precisava
da experiência de Isabel.
Isabel precisava contemplar a grandeza daquilo que Deus estava fazendo em Maria.
Uma precisava ser fortalecida pela outra, porque determinadas promessas são tão profundas que precisam encontrar um ambiente onde possam crescer sem serem sufocadas pelo medo.
E naquele
encontro, a experiência reconheceu a promessa. Isabel foi cheia do Espírito
Santo e percebeu que havia algo extraordinário chegando à sua casa. Antes mesmo
que os olhos pudessem contemplar, seu coração discerniu. João se moveu dentro
de seu ventre diante da presença de Jesus. O menino que prepararia o caminho já
reagia à presença daquele para quem todo o seu ministério apontaria. E Maria
encontrou em Isabel mais do que uma parente: encontrou um lugar onde sua
promessa podia ser compreendida, acolhida e celebrada.
No fim, os dois
ventres revelavam partes diferentes de uma mesma história.
Maria gerava o
Cristo.
Isabel gerava aquele que anunciaria o Cristo.
Uma carregava a promessa.
A outra carregava a preparação.
Uma trazia ao
mundo aquele que mudaria para sempre o destino da humanidade; a outra trazia
aquele que levantaria a voz para dizer ao mundo que Ele estava chegando.
Deus é delicado
em seus cuidados. Ele sabe o peso que foi confiado as nossas fragilidades. Então,
coloca uma Isabel no caminho de uma Maria — alguém cuja experiência consegue
abraçar aquilo que a juventude ainda não sabe explicar. Outras vezes, coloca
uma Maria no caminho de uma Isabel — alguém carregando uma novidade de Deus
capaz de devolver vida à esperança que o tempo quase fez adormecer.
Quando há
propósito Deus não une pessoas aleatórias. Ele une histórias, entrelaça
experiências e faz de relacionamentos verdadeiros uma espécie de ventre onde
promessas podem ser protegidas até o tempo de nascer.
Existem pessoas
que não chegam apenas para caminhar ao nosso lado; chegam para nos ajudar a
carregar aquilo que Deus plantou em nosso ventre espiritual. Há encontros que
parecem circunstanciais, mas foram cuidadosamente desenhados pela providência.
E há pessoas
que Deus coloca em nossa história porque aquilo que está sendo gerado precisa,
por algum tempo, ser carregado pela comunhão... não pelas forças de nossos
braços solitários.
Maria carregava no ventre algo que sua pouca idade jamais poderia dimensionar. Havia dentro dela mais do que uma criança crescendo; havia o próprio Verbo caminhando silenciosamente em direção à carne. Deus havia decidido entrar na história humana, vestir-se de humanidade e caminhar entre os homens. E tudo isso começava no ventre de uma jovem que ainda aprendia a compreender os caminhos de Deus. Maria era jovem, inexperiente, e talvez nem pudesse imaginar a dimensão da batalha que aquela gestação provocaria. Enquanto seu corpo mudava lentamente, o mundo espiritual se movia ao redor de uma promessa que o inferno jamais desejaria ver nascer. Ela não carregava apenas um filho; carregava uma promessa capaz de dividir a história em antes e depois. Era grande demais para ser carregada sozinha.
Isabel também carregava uma vida dentro de si. Mas sua história havia sido escrita em páginas diferentes. Seu ventre já conhecera o silêncio de muitos anos, a espera que se alonga, a esperança que precisa sobreviver quando as circunstâncias parecem enterrá-la. Isabel era idosa. Havia atravessado o território da impossibilidade e chegado a um lugar onde somente a graça poderia explicar o que estava acontecendo. Agora, dentro dela, crescia João, aquele que prepararia o caminho, aplainaria as veredas e levantaria sua voz diante do mundo para anunciar o Cordeiro de Deus. Isabel não carregava o Cristo, mas carregava aquele que prepararia os caminhos para que o Cristo fosse reconhecido.
Maria tinha dentro de si uma promessa que ainda era maior do que sua compreensão. Havia recebido uma palavra que não cabia nos limites da experiência humana. Ela sabia o que Deus havia dito, mas ainda não conhecia todos os caminhos pelos quais aquela palavra haveria de passar. Precisava aprender a caminhar enquanto a promessa crescia. Precisava confiar quando não podia explicar. Seu ventre começava a revelar, pouco a pouco, aquilo que sua alma havia recebido pela fé. Maria gerava Jesus sem conseguir enxergar, naquele primeiro momento, toda a eternidade escondida dentro daquela pequena vida.
Isabel, entretanto, carregava no próprio corpo a memória de uma espera. Seu ventre era quase uma parábola viva sobre a fidelidade de Deus. Ela conhecia os dias em que a promessa parecia distante demais, as noites em que o coração pergunta quanto tempo ainda será necessário esperar. Por isso, talvez pudesse ensinar Maria sobre os silêncios que antecedem os milagres. Isabel havia aprendido que Deus não perde o controle quando o tempo parece atrasado. Que o relógio dos homens não apressa nem interrompe os propósitos do céu. Seu ventre dizia, silenciosamente, que aquilo que Deus promete pode atravessar anos sem deixar de ser promessa.
Isabel carregava o vivido.
Isabel tinha a experiência.
Isabel carregava a memória de quem já havia esperado.
Isabel recebeu Maria carregando João.
O outro seria o Caminho.
Isabel precisava contemplar a grandeza daquilo que Deus estava fazendo em Maria.
Uma precisava ser fortalecida pela outra, porque determinadas promessas são tão profundas que precisam encontrar um ambiente onde possam crescer sem serem sufocadas pelo medo.
Isabel gerava aquele que anunciaria o Cristo.
Uma carregava a promessa.
A outra carregava a preparação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário